[PT] Receba as actualizações no seu email :: [ENG] Subscribe to receive the updates
By Feedburner

2008/04/30

Ainda os "Tops"

O Filipe Gil, dias antes de deixar de ser director da "Construir", escreveu este interessante artigo sobre a ausência de jovens arquitectos portugueses dos tops internacionais.

Valores perdidos
Filipe Gil
11 de Abril de 2008

A última edição da conceituada revista britânica Icon (iconeye.com) publica um artigo sobre os vinte arquitectos essenciais da nova geração. Na escolha estão alguns nomes já relativamente conhecidos, caso dos dinamarqueses BIG, os londrinos FAT, ou os nova-iorquinos REX, entre outros. E, uma das coisas que saltou à vista foi que entre estes "outros" nenhum nome era o de um português(a). As desculpas poderão ser muitas, sobretudo porque sabemos que sendo uma revista britânica, têm a tendência para dar importância única e exclusivamente ao mundo anglo-saxónico, mas nesta lista são também indicados chineses, franceses, belgas e holandeses, entre outros onde, mais uma vez, não aparece nenhum nome luso. Seguindo e conhecendo alguns dos jovens valores da arquitectura portuguesa senti, ao ler o artigo, aquela sensação muito futebolística de ter sido "roubado a jogar em casa", pois é algo injusto que ao menos um nome não esteja presente. No entanto, e se não tenho quaisquer dúvidas do valor da arquitectura nacional, sobretudo dos jovens nomes - essa foi uma das ideias principais para lançarmos o Yearbook´0708 - Arquitectura em Portugal, que estará nas bancas no final de Maio -, a ausência nacional deve-se, em último caso, a culpa nossa, do mercado da construção (onde incluo todas as áreas da arquitectura à construção). Se estes jovens internacionais são conhecidos é, certamente, pelas suas ideias, mas acima de tudo pelas suas obras. Agora, digam-me os senhores promotores e os senhores construtores portugueses nomes de cinco, apenas cinco, arquitectos lusos de qualidade com idades inferiores a 30 anos? E ainda melhor, quantos deles têm obra feita no nosso país. Ou seja, continuando a teoria, são muitos os que não apostam nos valores nacionais, aliás são a grande maioria. Deixam-nos partir para o estrangeiro, para trabalhar noutros países, para outros projectos onde a criatividade é permitida, enquanto que aqui, na Ocidental praia Lusitana, adoramos chamar nomes estrangeiros com prova provada e com muitos milhões para pagar. Sendo que, no final de contas, e com excepção da Casa da Música de Koolhaas, acabamos por não ter as tais estrelas. Norman Foster para Santos? Jean Nouvel para Alcantâra? Será que irá mesmo acontecer? Enquanto isso os valores nacionais, mais baratos mas não menos criativos são colocados em stand-by até ganharem um prémio no estrangeiro, e mesmo assim, nada garante que algum dia poderão projectar num país que tanto necessita deles. Deve ser do fado!

0 comentários: